CAMINHOS PARA A ANIMAÇÃO PORTUGUESA
Concluído o segundo encontro de profissionais de animação, que teve lugar no dia 13 de Março de 2010, no Festival Monstra - animadores, argumentistas, estudantes, músicos, produtores, programadores, realizadores e sonoplastas subscrevem o seguinte comunicado:
O Cinema de Animação português teve nos últimos quinze anos um reconhecimento internacional extraordinário com um número de prémios, menções honrosas, selecções para os melhores festivais do mundo e convites para retrospectivas, sem precedentes.
Este contributo inestimável para a projecção da cultura nacional e dos seus autores, facto reconhecido pelo ICA em vários fóruns, está em risco de se esgotar devido à desadequação e à ineficácia do actual modelo de gestão de apoios bipartido pelo ICA e pelo FICA. Assistimos:
- À redução do financiamento disponibilizado pelo ICA, em cerca de um milhão de euros/ano para apoiar a produção de curtas-metragens e para apoiar a internacionalização das empresas, o que é vital para viabilizar a montagem financeira dos projectos e para penetrar nos mercados.
- À passagem dos apoios à produção das séries e longas-metragens de animação em exclusivo para o FICA.
- À inércia que culminou na actual suspensão do FICA. A consequência foi a ausência de apoios à produção de séries e longas-metragens de animação em Portugal nos últimos três anos e o desrespeito por compromissos assumidos previamente com as produtoras nacionais e internacionais.
- Nove a quinze milhões de euros orçamentados para apoiar projectos de animação não foram executados.
- As produtoras nacionais de animação estão na eminência de suspender a actividade, pois enquanto o FICA não voltar a ser activado, não conseguem reunir o financiamento necessário para cumprir com co-produções internacionais, algumas previamente seleccionadas em concurso de apoio ao desenvolvimento do ICA, e com pilotos muito bem acolhidos pelas televisões europeias.
Alarmados com o cenário descrito e com os danos irreversíveis que este pode causar num sector, com inequívoco potencial de expansão, empregabilidade e projecção da imagem externa do país, os profissionais da animação estão em fase adiantada de discussão de uma CARTA ESTRATÉGICA para o sector onde integram propostas relativas a modelos e novas oportunidades de financiamento e de formação de profissionais capazes de salvaguardar o futuro do sector a médio e longo-prazo, e a garantir a qualidade das suas produções.
A Carta Estratégica pretende-se como um documento orientador e gerador de um diálogo profícuo que ajude os decisores políticos a rectificarem erros recentes, a reajustarem sinergias e políticas, a reverem a magnitude do investimento no Cinema de Animação, de modo a consolidarem um dos sectores do cinema e do audiovisual que mais tem prestigiado o país e difundido a cultura nacional.
A Carta Estratégica será entregue nos ministérios da Cultura, Educação e Ensino Superior, e disponibilizado aos órgãos de Comunicação Social após o Festival Cinanima em Novembro de 2010.
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