quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quem somos? Donde viemos? Para onde vamos?

Gostaria de deixar aqui para todos 3 perguntas que considero importantes:
- Há actualmente desemprego na animação em Portugal?
- Que potencial de inserção tem o sector?
- Que grau de desenvolvimento será o adequado ao nosso País?

1 comentário:

Virgilio disse...

Caro Humberto, relatiavmente à questão "Há actualmente desemprego na animação em Portugal?", não sou produtor mas enquanto formador de guionismo para cinema e televisão, e sobretudo para cinema de animação, posso afirmar que há pessoas treinadas nesta área, cujos meandros conheço melhor, que não estão a trabalhar como guionistas. Sobrevivem realizando outros trabalhos, apesar de terem formação específica para tal. Dou um exemplo concreto, a Restart (Escola de Criatividade e Novas Tecnologias de Lisboa) oferece um curso de “Escrita para televisão, cinema e new media” (250 horas/2 turmas), no qual eu ensino o módulo de “Escrita para cinema de animação” desde o seu arranque em 2003-04. Em 2008-09 o curso não se realizou, depois dos gestores da Restart terem constatado a baixa empregabilidade dos seus formandos (cerca de 20%). Este ano lectivo reabriram o curso, apenas com 1 turma e com um reduzido número de alunos. Se eu aplicar esta realidade-Restart ao país, o que é tentador apesar de não ser correcto porque não disponho de dados concretos, poderia responder que há desemprego entre os guionistas portugueses.
Quanto ao potencial de inserção de guionistas no sector, creio que existe, sobretudo se as produtoras nacionais que já apostam no mercado das séries (ou estão a pensar investir nele) conseguirem apoios regulares do ICA (desenvolvimento)+FICA (produção). Digo isto porque é muito difícil imaginar as produtoras a lançarem-se a produzir séries de formato industrial, 26x26’, 52x7’, 78x5’, etc., sem contratarem uma equipa de argumentistas. Ao contrário das curtas-metragens que convivem bem com a co-habitação realizador-argumentista, as séries não o permitem. Na própria montagem financeira internacional, os potenciais parceiros desejam sempre conhecer a equipa de argumentistas e respectivos currículos. Por isso, se houver séries, especiais de televisão e documentários animados como se discutiu em Montemor-o-Novo há um potencial (limitado) de inserção de argumentistas no sector.
"Que grau de desenvolvimento será o adequado ao nosso País?" é uma pergunta mais abrangente mas creio que o modelo de desenvolvimento mais sustentado para o sector não pode desviar-se muito de: (1) manter uma aposta forte nas curtas-metragens que muito têm contribuído para a visibilidade e notoriedade, nacional e internacional, do cinema de animação português; (2) apoiar as produtoras que apresentem um package de séries a concretizar a médio prazo (3-5 anos) como se faz há muito no Teatro e na Dança (o Teatro da Cornucópia, a Companhia Paulo Ribeiro, Os Artistas Unidos, etc., beneficiam todos destes apoios estáveis do Ministério da Cultura) e que, idealmente, já tenham parcerias internacionais asseguradas a nível de co-produção, difusão, distribuição, etc. e (3) salvaguardar a aposta num nº muito limitado de projectos de alto risco como séries e longas-metragens high concept, para adultos, experimentais, etc., onde os apoios seriam condicionados à garantia prévia de parcerias internacionais.