quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O buraco da agulha

Pelos caminhos, a animação portuguesa atravessa a desolação de um deserto criado pela presente e já longa crise económica que flagela o mundo. E neste cenário, seria tudo muito mais aceitável se o mundo não hesitasse tanto em tomar as medidas necessárias para eliminar de raiz as crises de que padece. Assim, no meio da desolação, evidencia-se uma certeza: pior que isto só o nada! Esta circunstância, proporciona contudo uma oportunidade inusitada: no exercício de animar, os portugueses podem deixar de fazer parte da equação do problema, para poder começar a fazer parte da solução. Com isto, quero dizer que, se com a penúria actual as melhores oportunidades da animação já estão de certo modo perdidas devido à limitação de recursos, o melhor que há a fazer é começar a animar para que as oportunidades que surjam no futuro gozem de um melhor cenário. Como? - poderão perguntar. Com mais e melhor, digo eu, sabendo à partida as dificuldades inerentes às duas condições. Fazer mais animação, resolvendo os problemas que lhe impedem o crescimento. Quero dizer que, se com a penúria actual as melhores oportunidades da animação já estão de certo modo perdidas, o melhor que há a fazer é começar a animar para que as oportunidades que surjam no futuro sustentem um melhor cenário. E fazer melhor, por condição inerente a qualquer arte, por piores ou excelentes que sejam as obras já feitas.

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