quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

o meteorito

Penso que este espaço de debate há muito que devia existir. Pessoalmente, há anos que o espero sem o saber. E é inegável que fui incapaz de o criar. Por isso, mais uma vez, os meus agradecimentos a todos os que o permitiram. Agora, meus amigos, não há voltar atrás.
Quero também dizer que é com imenso prazer que constato a existência da primeira geração profissional da animação que se demarca espiritualmente da Jurássica a que pertenço. Numa lógica científica, posso tirar uma conclusão: estes são tempos de mudança! Portanto, todos os dinossauros tenham esta garantia: ou se adaptam, ou estão condenados à extinção. E os mais jovens, aprendam com os erros e a experiência dos que já andam nestas andanças de fazer filmes animados há mais tempo, porque senão, inevitavelmente cairão nas mesmas esparrelas ou noutras parecidas, em que o sector já caiu ao longo dos anos, e isso, meus amigos, será um desperdício que poderá por sua vez levar à extinção da vossa geração e tornaria estéril não só o vosso trabalho, como também o de todos os dinossauros, o que, diga-se de passagem, me deixaria bastante chateado.
Duas gerações a trabalhar em conjunto são melhores que uma. Façamos pois todos bom uso do nosso tempo!
Todos terão de concordar que a primeira lição a tirar deste encontro é que é tempo de acabar com as “picardias” e afins que, como se pode constatar, é um sério problema de geração. Conforme tive oportunidade de dizer no encontro, é um cancro que mina todo o cinema e audiovisual nacional e as histórias daí decorrentes dariam para encher livros e fazer filmes. Ao contrário da experiência profissional acumulada, estas coisas devem ser deixadas para o passado. Haja paz. Pela minha parte, e como padecente do mal que é comum à minha geração, gostaria pois de enterrar nestes caminhos os meus machados para, com todos, tornar este país com melhores condições de vida para os caminhantes desta jornada. Quem tem ouvidos que ouça. E os que têm voz que falem. E manifestem-se neste espaço. Que ninguém fique calado. Porque, quanto melhor nos conhecermos uns aos outros como profissionais, mais coesão teremos como força social, já para não falar dos mais, e melhores filmes de animação que poderão ser feitos.

Ps – só eu, um produtor, é que ponho bonecos nesta geringonça? Não há desenhos de animação? Layouts? Estudos gráficos, de personagens e sei lá que mais com que os autores animem visualmente os posts? È que blogs só com letras são uma chatice. E afinal, não somos profissionais da construção civil.

5 comentários:

Carina disse...

Gostei mt deste teu post, Humberto. :)

O lema dos Caminhos Para a Animação" é " a união faz a força", e isso inclui TODOS os profissionais de animação, de todas as gerações. Todos temos a aprender uns com os outros. Os mais jovens com a experiência dos mais velhos e os mais velhos com a energia e idealismo dos mais novos - aquela energia que, se não for travada, pode fazer possível o q parece impossível. :D

É verdade: as imagens dão cor a isto e tornam os posts mais apelativos!

animanostra disse...

agradeço-te carina. já somos 2.

João Miguel Real disse...

Eu concordo plenamente com o post do Humberto todos temos a ganhar com esta atitude. Não desprezar os idiais de cada um mas sim respeita-los como posições validas e unidas com o mesmo proposito, melhorar a animação em Portugal.

Abraço a todos e um obrigado ao Humberto pela abertura das suas palavras.

firstdraft disse...

Estou na generalidade em concordância com o Humberto, mas gostaria de acrescentar uma pequena dissertação sobre dinossaurios e sobrevivência:
No estado actual dos conhecimentos pensa-se que simultâneamente à extinção dos dinossaurios tiveram origem as aves, fruto de uma adaptação, evolução e selecção de algumas especies de dinossaurios. Isso dá que pensar, até pela adequação da metáfora: a uma ordem de animais ainda hoje notáveis pelo seu peso e dimensões gigantescos (não obstante a co-existência de espécies muito mais ligeiras), sucede uma ordem que, não só modifica o paradigma orgânico como se lança na conquista de uma dimensão suplementar (a vertical) ao conquistar um novo meio, através da navegação aérea. De notar que, originários também da época dos dinossaurios, resistem ainda hoje algumas espécies de répteis resistentes, como é o caso dos crocodilos e dos "dragões" de Comodo ou Komodo, que se pensa terem resistido graças à sua adaptabilidade ou ao isolamento relativo dos seus habitats. Assim, parece que os actuais dinos da animação têm ou de se modificar, criar asas, conquistar mercados, ou transformam em pequenos monstros predadores, fechados nos seus nichos ecológicos. A minha questão prende-se com o seguinte: conseguir evoluir, sem descaracterizar, sem engordar e abastardar "arte de voar".

Nuno Amorim (aka firstdraft)

ds-production disse...

Não podia estar mais de acordo com o Post do Humberto.

Hugo Rosado