domingo, 31 de janeiro de 2010

a dicotomia emprego/desemprego

Tenho desde há alguns anos o hábito de, quando algum jovem talento se me apresenta em busca de trabalho em animação, apresentar-lhe algumas luzes sobre o enquadramento económico desta profissão em Portugal. Falo-lhes então dos desafios que se lhes oferecem enquanto jovens, e dos problemas que irão enfrentar quando, com o tempo, tiverem de assumir mais responsabilidades sem que haja mudanças no sector. Tenho uma sincera admiração sobre os que, apesar dessa informação, persistem no seu empenho. E lamento com sinceridade, quanto não tenho qualquer trabalho onde possa aplicar esses exemplos de empenho e talento.
A propósito da formação da animação, penso que o problema, para além das propostas apresentadas pelo grupo de trabalho, tem de ser perspectivado um enquadramento mais abrangente. Para todo e qualquer efeito prático, o “livro branco” e o “esmiuçar” dos caminhos tem de equacionar com o mínimo de proporcionalidade o equilíbrio entre o que o País produz e o número de gente formada. Só assim se evitam os riscos de, ou de haver trabalho e não haver quem o faça, ou de haver muita gente para o fazer e não haver trabalho.
Penso pois que será importante definir os interesses do sector. E esclarecer se o que interessa é manter o status quo das condições presentes, ou mudá-las. E se for para mudar em que sentido? E como o fazer? Pragmaticamente, e sem rodriguinhos.
No caso específico da formação, se o documento final do grupo de trabalho não for capaz de demonstrar a lógica social de eventuais propostas de mudança, pouco adiantamento poderá alcançar no estado actual da arte. Por outro lado, devia ser evidente que estabelecer o ICA como destinatário final do documento é um tremendo erro de pontaria. A menos que fique claro que o ICA será um meio para chegar onde importa: ao público, através da comunicação social, e às mais altas instâncias do governo, de forma a proporcionar efeitos práticos à lógica das conclusões.
Proponho pois que o resultado dos grupos de trabalho, antes de serem apresentados seja a quem for, sejam sintetizados numa proposta global, fruto dos caminhos da animação.

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