quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Concurso Curtas 2009 e Júris ICA

A polémica levantada com o ICA relativamente ao excesso de projectos aprovados em função do orçamento do concurso de 2009 está, aparentemente pacificada. Numa reunião efectuada ontem com a direcção do ICA e sobre o concurso de 2009 ficou esclarecido o seguinte: o processo de viabilizar 10 projectos com 500.000 euros irá decorrer através de negociações com os produtores. Contudo, de uma vez por todas, se algum dos projectos classificados até 6ª conseguir fundamentar a necessidade de manter o orçamento apresentado a concurso, o ICA respeitará essa posição, mantendo o valor apresentado a concurso. Tenham pois isto em atenção.
Ficou igualmente acordado que nos próximos meses, será destacado um técnico do ICA para que receba dos produtores (através da APPA) toda a informação necessária à avaliação dos orçamentos dos próximos concursos, de forma a que esta situação não se repita e se siga os termos acordados para a redacção dos regulamentos. O ICA considera no entanto desnecessário providenciar este esclarecimento por escrito (!).
Posto isto, e como contributo para que se evitem de futuro situações destabilizadoras como a agora verificada, gostaria de apelar, por um lado, a todos os membros de futuros júris do ICA que acompanhem este blog, por outro, a todos os participantes dos caminhos, que ponderassem nas seguintes considerações:
De alguns anos para cá, as composições dos júris de animação têm sido, regra geral, compostas a partir de propostas disponibilizadas pelo sector através da APPA. Na perspectiva (que defendo) do sector alcançar um entendimento que viabilize uma nova entidade associativa construída a partir da APPA, da Casa da Animação e destes Caminhos, essa função deverá logicamente transitar para a nova entidade.
Os perfis das pessoas que têm sido propostas para júris têm sido seleccionados com base em critérios que tanto podem ser partilhados pela unanimidade dos proponentes, como a isenção e formação cultural, como de outros que, embora não sejam critérios partilhados de forma unânime, são contudo fundamentados pela maioria dos proponentes, como seja um conhecimento ou sensibilidade sobre animação, com variações entre o serem conhecedores do que se tem feito no domínio desta arte a nível global, e o estarem mais ou menos bem informados acerca das especificidades do sector nacional.
Assim, pode-se afirmar que a pesada responsabilidade que recai sobre os membros dos júris é-lhes mandatada não só institucionalmente pelo ICA, como também pelo próprio sector da animação. E esta responsabilidade consiste não só num relevante papel deliberativo em termos de cultura nacional (através da selecção dos projectos que podem trazer uma mais valia neste campo), como também no que diz respeito à evolução de toda a actividade profissional. E, tendo em conta os parâmetros económicos que a caracterizam, as suas decisões constituem na maioria das vezes a fundamentação para o bem estar ou o mal estar dos vários segmentos do próprio sector, pelo de período de um ou mais anos.
Neste entendimento, e tendo em conta o resultado do concurso de 2009, parece-me que não é necessário ter um mestrado em gestão ou em psicologia humana, para perceber que decisões como a agora registada, de seleccionar 10 projectos sabendo à partida que só há dinheiro para 6, são causadoras de polémica e destabilizadoras do sector. E a atitude de lavar as mãos, como Pilatos, deixando ao ICA a árdua tarefa de descalçar essa bota, não me parece condizente com a responsabilidade que o sector espera da parte de qualquer júri. Há que ter em conta que o ICA, no desempenho do seu papel de gestor da magra economia indexada à animação, sendo uma instituição do estado, e um organismo estruturado pela função pública que lhe é inerente, dificilmente estará vocacionado para semelhante discernimento, uma vez que estará invariavelmente limitado pela dinâmica burocrática em que assenta a sua natureza. Penso pois que situações como esta são de evitar em absoluto para o futuro. E isto não quer dizer que seja insensível ao facto de, por via da penúria a que estamos todos sujeitos, não concordar que seria bom termos mais filmes em produção. Quer dizer somente que, penso ser de toda a conveniência que nenhum das partes envolvidas pela abrangência do sector, se constitua como factor de mais complicações em vez de colaborar na evolução da animação portuguesa.
Entretanto, começo a ter o sentimento que a minha participação neste blog pode estar a ser excessiva. Por isso peço: se assim for, por favor, façam-mo saber. Não levarei a mal.

4 comentários:

Edgar Martins disse...

Humberto, a tua participação é importante e relevante para o objectivo dos caminhos, pelo que não tem sido excessiva mas antes esclarecedora da tua vontade de participar.
Lamento que tenhas saído do grupo de trabalho Associativismo(...), penso que a tua presença era uma mais valia.

usurpária disse...

eu, que ainda não me vali do ICA, ou do FICA, ou do subsídio de desemprego (que até é mais famoso), nem tão pouco penso fazê-lo nesta encarnação, leio sempre as tuas entradas atentamente.
aliás, o entusiasmo que vocês, pássaros e dinossaurios, conseguiram gerar e transmitir é tanto que não faltará muito para que eu, que havia trocado a animação por outros cromos, pegue nas trochas e aliste-me no exército!

dindonela

Virgilio disse...

Como alguém que já participou num júri que apreciou as candidaturas de 2 concursos (curtas e séries de animação) partilho a opinião que deve haver pelo menos três valências reflectidas no perfil dos membros do júri: conhecimento avançado de argumento/narrativas; conhecimento avançado e actualizado de realização/tendências/currentes/percursos dos cineastas nacionais; adequação do orçamento ao tipo de animação, grau de experimentação envolvido, duração do filme/série, etc. Assim a visão individual dum membro do júri poderia posteriormente funcionar como uma opinião sólida para os restantes membros do júri. Isto é, cada um faria a sua selecção mas depois ouviria pareceres específicos destas áreas mais técnicas. Há no país, profissionais que poderão integrar (e ser muito válidos!) neste modelo quase tri-partido de avaliação de projectos, o único detalhe é que provavelmente já estiveram ou poderão estar envolvidos - devido à duração de fabrico duma curta ou duma série de animação - em projectos de produtores e/ou de realizadores que se candidatem ao concurso em análise. Só antevejo duas soluções para isso: (1) acreditarmos na idoneidade das pessoas e das associações que indicaram e aprovaram os seus nomes ou (2) o ICA contratar 2 estrangeiros para o júri assessorados por 1 técnico do ICA como se faz na Fundação Ciência e a Tecnologia para seleccionar que projectos de investigação científica são apoaidos anualmente. Obviamente os dossiers teriam que ser redigidos em Inglês. Será necessário chegarmos a este ponto e o ICA assumir este custo adicional, que se calhar equivale a mais um projecto que poderia ser apoiado ou somos capazes de nos respeitar?

animanostra disse...

dossiers em inglês? ó virgílio! mais complicações para a candidatura? porque não brasileiros? ou galegos? e já não falarei de outros países de base lusófona por deconhecimento de haver ou não gente habilitada.