segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Associativismo


Penso que a questão associativa é o primeiro dos grandes desafios do sector tendo em vista o desenvolvimento desta actividade. Mesmo com dicotomias que, em meu entender devem ser encaradas pelos profissionais, assim como se encara uma pequena verruga, que uma pessoa vive com ela em paz, ou a manda remover cirurgicamente. Conseguindo estabelecer uma frente comum, não tenho qualquer dúvida que a animação portuguesa florescerá a passos largos, para variar dos passos de tartaruga dos últimos anos.
A questão que se coloca a todos é: que associação?
E consequentemente:
Quais as suas actividades desejáveis?
Onde?
Quando?
Com que sustento?
Pessoalmente, concordo com a perspectiva da casa da animação.
Mas há que resolver um problema estrutural:
O financiamento existente é correspondente a um plano de actividades.
E, por outro lado, o ICA não financia associações profissionais.
Para manter os apoios do ICA, a casa da animação tem de fundamentá-lo em actividades públicas e culturais.
Uma forma de superar isto seria, mantendo a funcionalidade programática da CA, suportar os encargos suplementares (que ninguém duvide – uma associação eficaz tem de contar não só com voluntarismo mas com, pelo menos, uma funcionária) com o maior número possível de sócios com quotas de um valor o mais baixo possível.
Depois, haverá que definir a sua estrutura organizativa e quais os órgãos de decisão.
Na perspectiva de uma nova associação, penso que só poderá ser positivo, dar voz a todos. Só com esta sintonia pode ser desenvolvido um bom trabalho.
Assim, produtores, autores, realizadores, animadores, operadores, professores, e programadores, que de alguma forma podem ser considerados profissionais da animação devem ser abrangidos, segundo um modelo estrutural que respeite as suas competências.
Relativamente à questão da asifa, seja através da casa da animação, seja através de outra coisa, penso também que sim, devendo-se contabilizar as suas quotas nos custos estruturais.

7 comentários:

Abi Feijó disse...

Para início de discussão gostaria de propor uma estrutura o mais simples possível, para melhor se adaptar a todas as situações.

Assim, proponho partir da estrutura actual da Casa da Animação e modificar a sua estrutura directiva, passando-a para um sistema semi presidencialista, com a seguinte constituição:
1 - Presidente - com funções de representação e de coordenação dos diversos grupos de trabalho. Penso que deveria ser um nome incontornável da Animação Portuguesa (autor, realizador, produtor ou professor)
2 - Quatro Vice Presidentes, cada um responsável pelo seu sector: Sectores a criar:
2.1 - Programação da Casa (que poderá ou não incluir os outros progamadores (festivais e afins)
2.2 - Produtores - Absorver a APPA? de qualquer forma seria uma secção com grande autonomia que garantisse aos Produtores ter a sua voz própria e específica
2.3 - Formação - Professores, workshops (e alunos?)
2.4 - Animação . que deveria englobar os outros campos de acção: animadores, realizadores, e demais técnicos. Outra possibilidade seria a de se constituirem grupos mais específicos, mas eu penso que neste momento esta divisão não se justifica.
3 - Secretário da Direcção
4 - Tesoureiro
Os Restantes orgãos de associação deveriam manter-se: Mesa da Assembleia Geral e Concelho Fiscal.

As especificações de cada um dos sectores deverá ser transposto para o Regulamento Interno, onde, aqui sim, deverão ocurrer grandes e profundas alterações de forma a clarificar todo o funcionamente de cada sector e como se deverão proceder às respectivas articulações entre si.

Outro problema a discutir é a abertura ou não a sócios colectivos (associações e empresas) e como se podem articular estes dois tipos de associados de forma equilibrada, justa e que correponda à expectativas de todos.

Abi Feijó disse...

estive a consultar os estatutos da Casa da Animação e pareceram-me muito simples as modificações que serão necessárias para que se adaptem às questões que estão a ser discutidas, mas, obviamente, tudo passará pelo perfil do que efectivamente venha a ser decidido e qual a estrutura que se pretende implementar. No entanto aqui ficam alguns comentários:

Artigo Quinto (finalidade)
Inclusão de uma referência específica à pretensão de representar os diversos sectores de actividade? (não tenho a certeza de que seja efectivamente necessária)

Artigo Sétimo (associados)
Neste artigo, logo no nº1, já estão previstos sócios colectivos, pelo que, hoje, já é possível às produtoras se tornarem sócias da Casa da Animação

Artigo Décimo Sétimo (Direcção)
Caso seja aceite a minha proposta de se alargar a direcção a quatro Vice-Presidentes, seria necessário mudar o nº 1 deste Artigo, incluindo tantos Vive-Presidentes quantos os sectores que vierem a ter uma representatividade própria dentro da Casa da Animação.
Talvez seja necessário especificar estas novas funções dos Vice-Presidentes no nº2 deste Artigo, mas penso que talvez seja melhor deixar estas especificações para o Regulamento Interno.

Artigo Décimo Oitavo (Competências da Direcção)
Alínea c) Clarificar melhor a questão da representação externa? especificando as funções de cada Vice-Presidente? De referir alguma questão no que se refere à adesão à ASIFA, caso venha a ser decidido avançar neste sentido de internacionalização? Talvez seja melhor deixar este assunto para o Regulamento Interno.

Artigo Décimo Nono
Será necessária alguma modificação à forma de obrigar a Associação? A estudar, em função do que se pretender fazer com os diversos sectores e qual o grau de autonomia que se pretende para cada um deles.

Estes são os únicos pontos que me parecem merecer alguma atenção se pretedernos dar uma nova funcionalidade à Casa da Animação. No entanto a parte mais complexa caberá sempre ao Regulamento Interno, onde se deverão clarificar muito melhor todas estas questões de funcionamento e de articulação entre todos.

Gostaria de pedir a opinião a um advogado para saber se estas minhas primeiras reacções tem algum fundamento, se estou a complicar ou a simplificar demasiado.

animanostra disse...

concordo genéricamente com o Abi.
penso porém que se justifica um sector específico para autores, que englobe realizadores, guionistas, artistas gráficos e músicos. A especificidade deste grupo tem particularidades diferenciadas de animadores, intervalistas, traçadores, operadores e demais, que lhes sejam afins.

Abi Feijó disse...

Continuando a especificar melhor a opção de internacionalização e a eventual adesão à ASIFA, gostaria de elencar aqui as condições que a ASIFA pede para que se formem grupos nacionais:

CONDITIONS FOR NATIONAL GROUPS

ASIFA is an Association of individuals. However, it is possible to form local ASIFA chapters under the following conditions:

1. The group should be a non-profit association, with the same objectives as ASIFA, which are described in ASIFA Rules and Regulations.

2. The Board of the group should be composed of international members, duly accepted by the ASIFA Board and who pay their dues.

3. The group should be composed of 10 members minumum, international ones.

4. The groups should give the opportunity of membership to all national applicants who fulfill ASIFA's conditions of membership.

5. Only after agreement by the ASIFA Board, a local group may work as a local ASIFA Body and benefit of reduced fees for ASIFA.

6. For better communication, each group is requested to make a report summarizing its yearly activities.

7. The secretariat of each group will keep the ASIFA Secretariat General informed of all changes of addresses of its members and agree to send the annual fees of its members before March 31, each year.

Para que se perceba melhor o que se refere o nº1, transcrevo também para aqui mais esta parte dos estatutos:

PURPOSE AND PROGRAMME

Article 2
1. In the spirit of a world wide cultural movement for progress in the development, dissemination and knowledge of animation, the purpose of the association is:
a) to establish worldwide communications between all who are professionally concerned with animation (directors, producers, administrators, script-writers, technicians, artists, designers, animators, composers, critics and historians, etc.),
b) to help promote satisfactory solutions to their creative, aesthetic, economic, technical and other problems through the exchange and circulation of information.

2. To this end, ASIFA will:
a) organize meetings, conferences, assemblies and other events;
b) publish bulletins, studies, reports, documents, reviews and other publications;
c) grant its patronage to festivals and other undertakings which are in harmony with its purpose and premises;
d) promote the international exchange of film makers;
e) strive to remove obstacles in the way of free circulation of animation in order to carry out any of its objectives;
f) establish Commissions to carry out any of its specific objectives;
g) implement all other activities of the decisions of the General Assembly and the Board of Directors.

Como poderão ver, estes critérios são muito facilmente preenchidos pela Casa da Animação e nem sequer obriga a que todos os membros da CdA sejam membros da ASIFA.

Abi Feijó disse...

ASIFA (cont.)

Em termos estritamente financeiros, os sócios individuais pagam à ASIFA 33€ de quotas por ano, mas se estes membros pertencerem a um grupo nacional, apenas deverão ser enviados para a ASIFA 20€/ano/sócio. Os restantes 13€ ficariam à disposição da estrutura local, neste caso a Casa da Animação, que poderá tomar uma das seguintes decisões:
1)incluir estes 13 € nas suas receitas próprias, neste caso, isto implicaria que à quota da Casa da Animação fossem acrescidos estes 33€ (20€ ASIFA + 13€ CdA)
2) decidir que estes 13€ da quota da ASIFA, que correspondem à parte da associação local estariam já incluídos nas quotas actuais, uma vez que elas se destinam a cobrir as despezas de funcionamento da associação e essas já estariam garantidas pela quota actual. Neste caso à quota actual deveriam ser acrescidos os 20€ para a ASIFA.
3)Uma versão mais generosa da parte da Casa da Animação seria a de considerar que os 20€ a transferir para a ASIFA saíssem das actuais quotas. Neste caso não haveria lugar a nenhum aumento de quotas.
Esta decisão compete exclusivamente à associação local e a ASIFA não terá nada a dizer sobre este assunto.

Pessoalmente penso que a virtude estará no meio e por isso defender a segunda opção.

Um bom exemplo de uma associação que aderiu à ASIFA e que manteve a sua estrutura própria é o caso da AFCA (Association Française du Cinéma d'Animation) onde os seus sócios tem a possibilidade de pertencer apenas à AFCA ou às duas estruturas AFCA + ASIFA.

Isto quer dizer que dos actuais cerca de 90 sócios da Casa da Animação teríamos de encontrar, pelo menos, 10 sócios que, ou já sejam ou que manifestem a sua vontade de se tornarem, membros da ASIFA para que esta parceria internacional se possa estabelecer.

Assim de repente eu vejo 4 grandes vantagens nesta adesão:
1) Cada sócio da ASIFA passaria a receber o ASIFA Magazine (2 números por ano)
2) As pessoas que orientam workshops com crianças e jovens, poderiam pertencer também ao ASIFA Workshop Group e participar activamente nos seus projectos de colaboração internacionais (onde eu pessoalmente muito aprendi e constituiram excelentes motivações para as crianças que neles participaram)
3) Utilizar quer o site da ASIFA quer o ASIFA Magazina como veículo de divulgação do nosso trabalho, escrevendo e enviando estas informações para publicação, com alcance mundial.
4) O Dia Mundial da Animação, que a Casa da Animação tem promovido no nosso país é uma iniciativa da ASIFA e tem sido em estreita colaboração entre a CdA e a ASIFA que esta festa se tem organizado e dinamizado. É a partir das dinâmicas criadas internacionalmente pela ASIFA que tem sido possível desenvolver esta grande festa da Animação não só cá mas também a nível mundial.

Estas são para mim, pessoalmente, os aspectos mais relevantes, mas espero que vocês possam encontrar outros.

Para terminar gostaria apenas de referir que a ASIFA é a única associação do sector a nível mundial, que tem presentemente cerca de 5000 sócios e conta com cerca de 30 agrupamentos nacionais. Foi criada no primeiro Festival de Annecy, em 1960, por nomes consagrados da animação mundial como Norman McLaren, Bretilav Pojar, Raoul Servais, John Halas, Alexandre Alexeieff, Paul Grimault, entre muitos outros. Comemora, por isso mesmo, este ano o seu 50º Aniversário!

volto a lembrar o site da ASIFA onde poderão encontrar mais informações: www.asifa.net

Cristiano Mourato disse...

Abi, achas que se poderá criar uma quota especial, de valor inferior ao que está agora estabelecido, para alunos e jovens até aos 25 anos?

Abi Feijó disse...

Caro Cristiano
Tudo são ideias a discutir. Mas como eu não faço parte da coordenação deste grupo gostaria de deixar esta resposta com eles.
Em último caso, será na apresentação das conclusões de todo este processo bloguiano na Monstra que a sua discussão deverá tomar contornos mais definitivos.